Não me lembro do meu pai
Mãe, pai, Mãe
Não me lembro de pai, da
figura de um pai em minha vida.
Ele enlouqueceu, e foi
levado para um hospício (manicômio) antes que eu completasse 4 anos. Nunca
senti falta da figura paterna (o nome dele eu tinha em minha certidão de
nascimento: José Martins dos Santos, apelidado Duda. Duda, por que Duda? Sei
lá...
Minha mãe ajudou para
que eu não sentisse falta de pai. Ela era mãe e pai. Dava carinho (à sua
maneira simplória) como mãe; saia pra trabalhar como um pai; resolvia os
problemas como um pai, fossem quais fossem os problemas: problemas homens,
problemas mulheres, problemas quaisquer. Defendia suas crias com uma força que
em outras horas ninguém diria ser ela capaz de ter, mulher pacata e paciente
que sempre foi.
Não tendo sido feliz no
casamento, resolveu que não mais iria casar; pra ninguém botar a mão nos filhos
dela (bater, judiar).
Trabalhadora, guerreira,
amorosa, enérgica, carinhosa, piedosa, justa, acolhedora, providente,
confiável, ajudadora, temente a Deus (especialmente da maturidade à velhice, quando
teve contato com a Palavra de Deus, mesmo incompleta e não bem explicada).
O dilema que têm os que
não conheceram seu pai, eu não tive. A falta de pai que esses sentiram, eu não
senti. Tinha o nome dele na certidão de nascimento, e tinha pai presente, em
minha mãe.
Por vezes me dou conta
que meus filhos veem e convivem com o pai (eu, eu mesmo...), e eu não tive
isso, de pai homem, da figura masculina em casa; não sei como é; não passei por
essa experiência deles, assim como eles não passaram pela minha.
Às vezes acho que sou um
pai diferente. Por que? Não sei, nem sei se sou mesmo um pai diferente.
Diferente do que? De quem? Não tive um pai homem em casa para me espelhar, e as
informações que tive do pai que perdi não eram nada boas. Será por isso que
muitas vezes não me sinto um pai pai, mas sim um com eles, um com os filhos, um
no meio deles?
Às vezes estranho...eu?
Pai? Como assim? (Agora já sou bisavô). Por vezes penso: meus filhos têm pai,
veem o pai, vivem com ele. Como é isso? Eu não tive, nem senti falta. Ué,
então, por que esse assunto agora, se nunca senti falta? Não sei...deu vontade
de escrever um pouco...
Amanhã cedo vou à
igreja, com minha esposa e filhos, render louvores ao nosso Criador.
Pai, como é ter pai?
Como é ser pai? Como fazer sem ter visto um modelo? E se não der certo?
Tá dando certo...Será
que tem nisso a mão de Deus, o Pai de todos? CERTAMENTE!
Louvado seja nosso bom
Deus! Amém!
Autor Tio Belo, 15|05|2015

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